
Da oportunidade à participação: desenhar a rotina de quem influencia.
Uma campanha exige mais do que encontrar uma oportunidade. O influenciador precisa entender as condições, preparar sua participação e esclarecer dúvidas ao longo do caminho. Na Infleux, trabalhei para conectar esses momentos em um aplicativo construído a partir de um webapp existente.
Como único designer da empresa, conduzi a investigação interna, a arquitetura da informação, os fluxos, a interface e o UX Writing, em colaboração com tecnologia e stakeholders. O projeto levou campanhas, perfil e comunicação para o celular, preservando a identidade do produto e revendo o que precisava mudar na interação.
Minha contribuição: transformar sinais da operação e objetivos do negócio em decisões de experiência, do primeiro cadastro à execução da campanha.
O aplicativo precisava estar presente entre uma campanha e outra.

Quando entrei na Infleux, a empresa já tinha um webapp e um Design System estruturados. Assumi o trabalho de UX após a saída da designer anterior, colaborando com desenvolvimento e atendendo também às melhorias dos sistemas internos.
A empresa queria um aplicativo para avisar influenciadores sobre novas campanhas por notificações. As dificuldades de comunicação, porém, indicavam uma necessidade mais ampla: apoiar o trabalho depois que a oportunidade fosse aberta. As orientações precisavam ser compreendidas e as dúvidas precisavam encontrar um caminho de resposta.
Alguns componentes do webapp também apresentavam problemas em celulares. Por isso, mantive as funcionalidades úteis como ponto de partida e revisei sua organização e comportamento para mobile. O desafio combinava continuidade do produto, clareza das tarefas e proximidade com o influenciador.
Comecei por quem acompanhava as dúvidas todos os dias.

Conversei com os profissionais que mantinham contato frequente com os influenciadores. Suporte, atendimento e operações ajudaram a reunir dificuldades do cadastro, dúvidas recorrentes e pontos em que a comunicação exigia explicações adicionais. Esse foi o acesso disponível à experiência do público naquele momento.
Em paralelo, ouvi stakeholders, CEO e investidores para compreender o que esperavam do aplicativo. Separei essas perspectivas no raciocínio do projeto: uma ajudava a entender o trabalho de quem participava das campanhas; a outra esclarecia prioridades e expectativas de negócio.
Desse entendimento surgiram frentes concretas: orientar a entrada na plataforma, organizar o acesso às campanhas e aproximar a comunicação da atividade. Consultei também referências nacionais e internacionais de produtos e padrões mobile para explorar formas de resolver essas interações.
A investigação deu direção ao escopo: o aplicativo precisava sustentar a participação, além de anunciar novas oportunidades.
A CSD ajudou a transformar expectativas em perguntas de produto.

Organizei o entendimento inicial em uma Matriz CSD e conduzi o alinhamento com o time. Sua função era separar o que já sabíamos do produto, o que esperávamos do aplicativo e o que ainda precisava ser esclarecido. Isso criava uma base comum para discutir o primeiro escopo.
A partir das dificuldades de comunicação e navegação, trabalhei uma direção: aproximar oportunidade, orientação e conversa poderia dar mais continuidade à jornada. Essa relação guiava as escolhas sem transformar cada pedido recebido em uma nova funcionalidade.
Priorizar significou preservar as funções úteis do webapp e concentrar o aplicativo nas tarefas do influenciador. Cadastro, perfil, campanhas e comunicação passaram a ser discutidos em conjunto com sua viabilidade técnica. O lançamento foi construído a partir desse recorte.
Critério de decisão: cada parte da experiência deveria ajudar a entrar, compreender, participar ou acompanhar.
Organizar o caminho antes de detalhar as telas.

No card sorting interno, trabalhei os agrupamentos de conteúdo para rever a navegação. Campanhas, chat e ajuda precisavam ter funções reconhecíveis: encontrar a oportunidade, conversar sobre ela e consultar orientações são necessidades relacionadas, mas diferentes.
Wireframes navegáveis
Levei essa organização aos wireframes navegáveis. A sequência entre cadastro, perfil, exploração de campanhas e conversa permitia discutir o produto como uma jornada. O time conseguia avaliar onde uma tarefa começava, quais informações eram necessárias e como a pessoa continuaria.
Alinhamento com desenvolvimento
As discussões com desenvolvimento amadureceram os fluxos antes da interface final. Navegação, componentes disponíveis e regras precisavam funcionar juntos; uma mudança no cadastro, por exemplo, repercutia nos estados dos campos, nas mensagens e na continuidade da interação.
O ganho dessa etapa foi tornar as decisões discutíveis: a estrutura mostrava relações entre tarefas que uma coleção de telas isoladas não explicaria.
Entender o briefing e resolver a dúvida no mesmo contexto.

Propus trazer a conversa para dentro do aplicativo, com uma familiaridade próxima à de um chat como o WhatsApp. A equipe poderia compartilhar documentos, imagens, briefings e informações com os influenciadores. O papel dessa funcionalidade era apoiar a execução da campanha, aproximando a orientação da atividade.
O briefing recebeu uma organização em sete etapas. Em vez de depender de uma leitura extensa sem progressão evidente, a pessoa passava por uma sequência para compreender as condições antes de avançar na participação. A decisão precisava equilibrar conteúdo obrigatório e esforço de leitura.
Essas duas frentes se complementavam: o briefing estruturava o que era comum à campanha; o chat abria espaço para as dúvidas que permanecessem. A experiência ganhava caminhos tanto para a orientação prevista quanto para as situações que exigiam uma conversa.
Participar pressupõe compreender. Foi essa relação que orientou o desenho entre informação, próximo passo e comunicação.
As regras de entrada também precisavam ser compreensíveis.

As dúvidas levantadas sobre cadastro e validação fizeram dessa entrada uma frente importante do projeto. Trabalhei a confirmação por SMS e e-mail, os critérios de senha e os estados de validação em conjunto com os textos que orientavam o preenchimento.
Nos registros das interfaces, a senha aparece acompanhada dos critérios e de diferentes estados de feedback. A pessoa pode relacionar o que digitou ao que ainda é solicitado. A regra deixa de existir apenas como uma mensagem recebida depois de uma tentativa.
O UX Writing acompanhou a interação: explicar o pedido, apontar o erro e indicar a continuidade faziam parte da mesma tarefa. Minha preocupação era que a exigência de validação viesse acompanhada de orientação suficiente para a pessoa prosseguir.
A entrega foi concreta: um fluxo de entrada com confirmações, critérios visíveis e mensagens associadas às ações.
O cuidado com a experiência aparecia nas pequenas escolhas.

Revisei textos para aproximar a linguagem da rotina dos influenciadores e explicar as ações com mais clareza. As mensagens de apresentação, os campos e os feedbacks precisavam formar uma conversa coerente, em vez de mudar de tom a cada etapa.
O formulário de gênero também foi revisto, ampliando as opções de identificação. Consultei práticas de produtos como Google e Facebook para apoiar essa decisão. O cadastro precisava reconhecer a diversidade de pessoas que utilizavam a plataforma e oferecer espaço para sua representação.
No perfil, trabalhei dados pessoais, fotografia e conexão com redes sociais, incluindo Instagram e Facebook. Essas informações conectavam o cadastro à atuação profissional do influenciador e à sua presença nas campanhas.
Texto, formulário e perfil eram partes do mesmo problema: ajudar alguém a entrar no produto, entender o que estava sendo solicitado e se apresentar nele.
Preservar a marca e rever o comportamento no celular.

Uma base para o aplicativo
O Design System existente oferecia uma base de identidade e consistência. Minha contribuição foi evoluí-lo para o aplicativo, adaptando componentes e criando os complementos necessários ao uso mobile.
Comportamento no mobile
Revisei hierarquia, campos, feedbacks e navegação, especialmente onde a experiência do webapp apresentava problemas em celulares. Preservar o reconhecimento da marca exigia olhar também para o comportamento: o teclado ocupa espaço, os campos têm estados e as ações precisam continuar compreensíveis durante o preenchimento.
Componentes compartilhados
Esse trabalho aconteceu em colaboração com desenvolvimento, conectando as propostas de interface à implementação. Os componentes reutilizáveis ajudavam a levar as mesmas decisões para diferentes pontos da jornada, do cadastro às campanhas.
A consistência vinha da combinação: identidade visual preservada, padrões de interação compartilhados e orientações alinhadas ao contexto de cada tarefa.
O projeto reuniu as partes da participação em um produto mobile.

O aplicativo reuniu acesso às campanhas, perfil, cadastro e recursos de comunicação em uma experiência mobile. Para o influenciador, o produto passava a oferecer um ambiente para encontrar oportunidades, consultar orientações e manter contato com a equipe.
Essa entrega resultou de uma cadeia de decisões. Os sinais da operação orientaram o escopo; a CSD apoiou o alinhamento; os agrupamentos de conteúdo e wireframes organizaram o caminho; briefing, chat, cadastro e componentes deram forma às interações.
Como único designer, conectei essas frentes e trabalhei com tecnologia para viabilizá-las. O lançamento aconteceu em 120 dias, dentro de uma atuação que também incluía melhorias nos sistemas internos.
O valor do projeto está nessa conexão: a adaptação para mobile passou a considerar o trabalho completo entre descobrir uma campanha e conseguir participar dela.
Uma entrega que se tornou parte da operação.
O resultado imediato foi o lançamento de uma experiência mobile que conectava campanhas, orientação e comunicação. O trabalho deixou também fluxos de entrada detalhados, opções de identificação ampliadas e componentes preparados para o aplicativo.
downloads no Android
Faixa acumulada informada pelo Google Play para o aplicativo Infleux. Consulta em 13/10/2026.
presença nas duas lojas
As páginas públicas do Google Play e da App Store confirmam a disponibilidade do produto.
A escala do negócio que essa experiência apoia
creators na rede da Infleux em outubro de 2026
Atualmente, a Infleux divulga uma rede de mais de 70 mil creators e mais de 700 marcas parceiras. Esses dados dimensionam a operação da empresa em outubro de 2026; o número de downloads representa o alcance acumulado do aplicativo.
Minha contribuição foi construir a base mobile dessa jornada em colaboração com o time. Para mim, esse projeto consolidou uma forma de trabalhar: ouvir a operação, explicitar as decisões e cuidar da continuidade entre as tarefas. A qualidade da experiência se constrói tanto na estrutura da navegação quanto no detalhe que explica como seguir.